V
eis como a chuva te
molhava o cabelo
e eu gostava
de o ver, escorrendo
à luz do crepúsculo.
os deuses dormitavam
em suas puras fábulas
de escândalo.
o minério era outro (um bronze,
um silencio, um lugar)
e as gotas uma a uma
que a tua mão limpava.
era assim que a chuva
nos era parecia
IX
e uma tarde tu
falaste-me da sombra
da solidez do reino
de árvores imponderáveis
mostrei-lhe a luz das praças
e das arcadas, viste
que a sombra era um reduto
só de acompanhamentos.
e viste o sol, e o seu
benéfico poder, as tuas
narinas estremeceram
como se de um perfume
de archotes aromáticos:
as árvores ardiam.
Nó cego, o regresso,
poema de Vasco Graça Moura,
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