estou a ler…
Obra: Diário de Anne Frank
Editora: Livros do Brasil
Tenho medo da vida
Tenho medo de viver
Tenho medo da realidade
Tenho medo de sonhar
Tenho medo de uma palavra
Tenho medo de uma imagem
Tenho medo da escola
Tenho medo de casa
Tenho medo de sofrer
Tenho medo da solidão
Tenho medo da multidão
Tenho medo da amizade
Tenho medo do fogo
Tenho medo da chuva
Tenho medo do amor
Tenho medo de amar
Tenho medo de tudo
Tenho medo da vida
Tenho medo de viver.
Carla Enes
Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos,
Basta a esperança
naquilo que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e do que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama

Mário de Sá-Carneironasceu em Lisboa no dia 19 de Maio de 1890. Os primeiros anos de sua vida são marcados pela dor causada pela morte da mãe, em 1892, quando ele tinha apenas dois anos. Este que foi poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do Modernismo em Portugal, e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu, juntamente com Fernando Pessoa e Almada Negreiros.
Em 1911, matricula-se na Faculdade de Direito de Coimbra e, no ano seguinte, transfere-se para Universidade de Paris para dar continuidade ao curso de Direito, que não conseguiu concluir.
Em 1916, escreve uma carta a Fernando Pessoa, anuncia sua intenção de suicídio, o que ocorre no dia 26 de Abril, num quarto do Hotel Nice, em Paris. Morre com apenas 25 anos.
Alguns dos seus trabalhos foram publicados pelas revistas Orpheu e Portugal Futurista.
A obra de Mário Sá-Carneiro está intimamente relacionada a sua vivência pessoal, revela toda a sua inadaptação ao mundo e a constante busca do seu próprio eu.
Suas obras:
O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
O que eu adoro em ti,
Não é a inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e dos coisas.
O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E meu pai.
O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida,
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que adoro em ti - lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.
11-07-1920
Manuel Bandeira
Nas chagas escuras
encontrei a solidão.
Nos ventos agrestes
encontrei a compaixão.
Na chuva imunda
encontrei escuridão.
No braço celeste
encontrei o meu querido amigo do coração.
Carla Enes
XII
Foi quando adormeci
sob a calidez dos plátanos da cidade.
E só mais tarde cresci.
Mas foi na explosão doce das tílias de verão
que retomei o mago tempo das nostalgias.
Hoje sei que a musica, embaixadora do poema,
seria a nave indagando a foz.
Os lugares do tempo,
Bernardete Costa
Acabo de acordar,
Olho ao espelho,
Olho lá para dentro
E só vejo uma palavra
Sonho.
Sonhar,
A minha vida é basicamente sonhar
Sonhar em entrar
Sonhar em jogar
Sonhar em pisar
Sonhar em ir
Sonhar em ganhar
Sonhar até em perder
Mas,
Que isto não passe tudo de um sonho
Posso sonhar eternamente.
Carla Enes