autobiografias
Tinha acabado de receber a pior noticia que uma rapariga poderia receber mas até estava contente
O pior foi quando descobri que afinal não era a pior, aquilo que acabara de ouvir era muito mau, ainda por cima era duplo, era como uma catástrofe. Aquela coisa abalou-me fiquei atordoada, em choque, não tinha noção do que acabara de ouvir.
Um era interno e comprido outro era esponjoso e plástico. Não era bom, nem mau, nem medíocre, era péssimo. Abala com qualquer autobiografia.
Agora tenho medo de perder essas duas “autobiografias”. Resmungo todas as noites.
A primeira “autobiografia” teve de ser operada, correu bem, até ouvi a voz, na altura, estava cansada, esgotada, quase acabada, mas aquilo alegrara-me. Pode-se dizer que é o crânio da família.
A segunda “autobiografia” está a ser sintetizada, e teve a pior consequência: “ficar sem pêlo, pêlo comprido e belo”. Na altura, da devastadora consequência, momentos antes tivera a assistir a isso na televisão. No momento a seguir aparecera a “autobiografia” prontinha a cumprir essa consequência, ainda por cima no meu canto. Como é possível?
Aquilo é devastador mas até fica bem. Esta “autobiografia”, até aguenta melhor do que eu.
A todo o momento, tenho medo de perder estas duas “autobiografias”, só agora sou capaz de identificar as características das mesmas.
Não quero que seja tarde de mais.